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| Divulgação |
Antes de Ken Parker houve Tiki, o primeiro elo de criação entre os quadrinistas Giancarlo Berardi e Ivo Milazzo. Aqui no Ken Parker Blog também falaremos sobre outros personagens e publicações da dupla italiana. É o caso de "Tiki - O Menino Guerreiro" (106 páginas, formato 22 x 32cm), obra empacotada no Brasil pela Editora Quadro a Quadro.
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| Aldeia Ianonâmi. Arte: Ivo Milazzo |
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A fagulha inicial para o surgimento de Tiki foi deflagrada após Berardi ler uma reportagem com relatos de que a rodovia transamazônica seria aberta à base de Napalm, sem cuidados ou mínimas preocupações com a população indígena que vivia na floresta, além de prejudicar um dos mais importantes ecossistemas do planeta.
A fagulha inicial para o surgimento de Tiki foi deflagrada após Berardi ler uma reportagem com relatos de que a rodovia transamazônica seria aberta à base de Napalm, sem cuidados ou mínimas preocupações com a população indígena que vivia na floresta, além de prejudicar um dos mais importantes ecossistemas do planeta.
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| Arte: Ivo Milazzo |
Desse modo, o escritor resolveu criar essa história de denúncia contra o (falso) progresso que não liga para sentimentos e quanto menos para vidas humanas. O Carajá Tiki acabou sendo lançado no Brasil apenas em 2013 (antes tarde do que nunca), um empreendimento da editora Quadro a Quadro, com tradução de Marcelo Santana, numa devotada cruzada pessoal do editor Lucas Pimenta, um dos editores do Ken Parker Blog.
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| Arte: Ivo Milazzo |
Dividido em seis episódios, a trama revela como a ação do napalm acaba dizimando a aldeia de Tiki. Assim, após essa tragédia, acompanhamos a saga do jovem em busca de sua vingança. Apesar de certa ingenuidade no roteiro, com pequenos erros históricos/cronológicos, equívocos que distorcem parte dos fatos ocorridos durante a construção da transamazônica nos anos 1970, há uma série de virtudes a serem exaltadas. A começar pela narrativa, conduzida em grande parte pelo ponto de vista do menino índio, ancorada a monumental arte visual criada por Milazzo, moldando uma história gráfica que nos induz a uma comovente história. A medida em que os personagens vão surgindo e evoluindo no enredo, entra em pauta o eterno confronto entre o bem (índios) e o mal (homens brancos), por outro lado, há contínuas inversões desses papeis. Podemos simbolizar essa dualidade na relação entre o engenheiro polonês Mate Paskow e o jovem indígena, uma aproximação de conflito e reconhecimento.
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| Arte: Ivo Milazzo |
Apesar de Tiki - O Menino Guerreiro aparentemente apresentar uma visão dicótoma e provavelmente não tão precisa de um episódio marcante em nossa história de 'conquista' e expansão da Amazônia, Berardi/Milazzo não escorregam em banais maniqueísmos. Guardadas as devidas proporções, da mesma forma que obras como "Dança com Lobos" (1990), western de Kevin Kostner, "Enterrem meu coração na curva do rio", bíblia indigenista de Dee Brown, ou até mesmo Ken Parker, a mais famosa criação da dupla de quadrinistas, a saga de Tiki novamente nos alerta de o quanto certos desvarios se repetem na história da humanidade. Tudo se repete. Assim, em nome do progresso, mas principalmente de interesses excusos, ora ou outra novos esquemas genocidas vicejam, quase sempre afiançados por políticos decrépitos, e o pior — à sombra dos holofotes de um celebrado mundo globalizado. Todos sabemos o que está acontecendo. A mesma história, parecida com a mazela de Tiki. Vale cada linha ou quadro.
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| Arte: Ivo Milazzo |






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