quarta-feira, 22 de julho de 2020

KP#3 Os Revolucionários/Os Cavalheiros

KP#3 Arte: Ivo Milazzo 
Review coletivo produzido pelo Grupo Diário Kenparkerniano

A reunião virtual de fãs de Ken Parker, fumetti/HQ italiano que é item de devoção do Diário Kenparkerniano, grupo formado no WhatsApp que se organizou com a intenção de cronologicamente reler e debater todos os episódios da epopeia western, também é relatado aqui no Ken Parker Blog.

Confira a trilha sonora de Ken Parker


Review — Ken Parker "Os Revolucionários (Vechi) / Os Cavalheiros (Tendência). Roteiro: Giancarlo Berardi — Desenhos: Ivo Milazzo. Publicada originalmente no Brasil em janeiro de 1979/Editora Vecchi


Arte: Ivo Milazzo
A trama acompanha as tramoias do ex-Capitão do exército confederado Kirk Collins e seu aliado, o jovem Mark Buttler. A dupla se junta ao bando de Lou Hendrik, ex-integrante do grupo de William Quantrill, um dos mais sanguinários milicianos da Guerra Civil norte-americana. Objetivo: roubar um trem que passará pela linha Cheyenne/Omaha para obter recursos e assim recomeçar uma guerrilha contra o governo Yankee.     

Ate: Ivo Milazzo
Publicado pela editora Vecchi no final dos anos 1970 como "Os Revolucionários", a primeira edição nacional subverte o título original italiano (Gentiluomini), ou seja - "Os Cavalheiros". Anos depois, o terceiro número foi rebatizado pela reedição da editora Tendência, corrigindo assim o equívoco anterior. A citação ao uso da palavra "cavalheiros" é recorrente e estratégica para desenovelarmos o enredo. Trata-se da própria essência da crítica de Berardi quanto ao uso do vocábulo: afinal, não existem cavalheiros na guerra! Desse modo, a palavra "cavalheiros" ressurge sempre em tons de sarcasmo e ironia.

Arte: Ivo Milazzo
Uma das fómulas desse episódio passa pelo coadjuvância de Ken Parker, que desponta inicialmente apenas na página 41, mesmo recorte ao qual também conhecemos o agente da Pinkerton Oake Barnun, importante personagem que terá desdobramentos no próximo número. E esse eventual aspecto suplementar na atividade de Ken passa a ser um dos métodos narrativos de Berardi, tornando-se inclusive uma de suas melhores habilidades como escritor. O roteirista introduz novos intérpretes e mesmo assim não perde a atenção do leitor, ciente de que em determinado ponto da história novamente Ken Parker irá emergir para ser devolvido ao seu protagonismo. 
  
Arte: Ivo Milazzo
A sequência da fuga dos detentos (páginas 20 até 35) nos joga dentro do universo dos filmes de prisão — com destaque para o truque da chave que é utilizado para abrir uma das celas. A luta entre Mark e John na página 66 é pura releitura da briga entre Butch e um de seus capangas, Harvey Logan (Ted Cassidy), em "Butch Cassidy" (1969) — "Nada de golpes baixos" — é a frase que Paul Newman (Butch) falsamente profere no início do embate do filme dirigido por George Roy Hill, e exatamente o mesmo bordão utilizado por John antes de se digladiar aos socos com Mark em “Os Revolucionários/Os Cavalheiros.

Arte: Ivo Milazzo
Ao longo da história, Berardi baloiça o leitor com uma constante inversão entre ‘mocinhos/bandidos’, nos provocando a rever conceitos e intenções. E ao final, podemos concluir que Ken Parker não passa de um nobre selvagem num mundo repleto de falsos cavalheiros.

Arte: Ivo Milazzo







Uma curiosidade: aos que acompanham o trabalho de Giancarlo Berardi e Ivo Milazzo além de Ken Parker, os mais atentos podem ter reparado que Ned, o recepcionista do hotel em Junction City, é a cara de Thomas Steele, protagonista de Tom’s Bar, graphic novel ambientada na violenta Chicago dos anos 1940.

Próximo episódio: "Homicídio em Washington".

Ned (esq), recepcionista do hotel em Junction City, é a cara de Thomas Steele (dir), protagonista de Tom’s Bar. Arte: Ivo Milazzo

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