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| Arte: Ivo Milazzo |
Confira a trilha sonora de Ken Parker
Review — Ken Parker "Sangue nas Estrelas” (Vechi/Tendência). Roteiro: Giancarlo Berardi — Desenhos: Ivo Milazzo. Publicada originalmente no Brasil em abril de 1979/Editora Vecchi
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| Arte: Giancarlo Alessandrini |
Ao sabor do rigoroso inverno de Montana, no episódio anterior Ken Parker se despede de Belle e Theba. Agora o encontramos numa manhã de primavera em Paradise City, no Wyoming, tentando levantar finanças para seu acerto de contas no México. Lá ele conhece Otis, um velho trambiqueiro, e o menino Marcus, filho de Doris Haufmann, viúva do último Marshall da cidade. Ken vende um carregamento de peles para Burt Salomon, proprietário de um armazém na periferia de Paradise City. Prestes a partir da cidade, é espancado e roubado. Procurado pelos figurões da cidade, e movido pelas circunstâncias, ele aceita o cargo de Marshall e oferece a Otis a função de seu imediato.
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| Arte: Giancarlo Alessandrini |
Pela primeira vez Ivo Milazzo se detém apenas a arte da capa, já que a história é desenhada por Giancarlo Alessandrini (Martin Mystère). Em entrevista a Luigi Marciano, Alessandrini deu mais detalhes sobre sua primeira participação num roteiro de Berardi — "A princípio, me vi um pouco deslocado por causa do novo formato de página e assustado com a quantidade e a qualidade de trabalho envolvido antes de mim. Os roteiros eram realmente bonitos, mas os poucos designers das páginas e as ambientações desse episódio, não eram graficamente os melhores”. Certamente Giancarlo Alessandrini sentiu o peso de substituir Ivo Milazzo.
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| Arte: Giancarlo Alessandrini |
De todo o modo, coube a ele certa repaginação no personagem, pois “Sangue nas Estrelas” marca a estreia de Ken Parker com trajes mais despojados. Sai de cena o ‘uniforme’ de couro com franjas, e agora temos um misto de roupa de caçador com influência indígena. Ele começa a vestir o lendário camisão branco por sobre calcas pretas, punhal às costas e preso ao cinto surge à frente uma algibeira (espécie de pochete). Essa alteração em seu figurino parece utilizar como inspiração o personagem Lyle Gorch, interpretado pelo ator Warren Oates em “Meu ódio será tua herança” (1969), filme dirigido por Sam Peckinpah.
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| Arte: Giancarlo Alessandrini |
Afligido pelas lembranças recentes, em “Sangue nas Estrelas” presenciamos um Ken Parker de pavio curto, impaciente, sem polimento ou papas na língua, novamente um homem tomado pelo espírito de vingança, indisposto à reflexão, crente no poder da violência frente às injustiças. Surge à lembrança de John Wayne em “Bravura Indômita” (1969). É a velha lógica — “Olho por olho, dente por dente”. Também há breves respiros de comicidade na figura de Otis, além de um espisódio específico no hotel, quando ao inferir divagações filosóficas, Ken não se melindra em expulsar um funcionário chinês de seu quarto — “Cada um tem o direito de viver com as suas próprias ilusões”, diz. Assim, não há espaços para esboços poéticos — num posicionamento mais próximo aos clichês dos filmes/HQs de faroeste, teatro onde quase tudo é decidido na bala.
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| Arte: Giancarlo Alessandrini |
Contudo, como Marshall, Ken Parker logra êxito em mobilizar a população de Paradise City contra Lee Maverick (um vilão clássico do gênero) — ponto para as prostitutas, que por terem mais influência sobre os maridos que as próprias esposas, os convencerão, pelo exemplo, a ajudar na mobilização contra o asqueroso e trucululento Maverick.
“Sangue nas Estrelas” é o momento de maior baixa nesse início da trajetória de Ken, mesmo assim, é nesse episódio que temos a primeira alteração de desenhista e a mudança definitiva no visual do eterno scout das HQs. Em reflexão, é uma edição tapa-buracos, provavelmente escrita às pressas. De todo o modo, “Sangue nas Estrelas” é acima da média geral das publicações western, afinal, estamos falando do Giancarlo Berardi.
Próximo episódio: Sob o Céu do México.
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| Arte: Giancarlo Alessandrini |







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