sábado, 1 de agosto de 2020

KP#17 A Longa Pista Vermelha

Arte: Ivo Milazzo
A reunião virtual de fãs de Ken Parker, fumetti/HQ italiano que é item de devoção do Diário Kenparkerniano, grupo formado no WhatsApp que se organizou com a intenção de cronologicamente reler e debater todos os episódios da epopeia western, também é relatado aqui no Ken Parker Blog.


Review — Ken Parker "A Longa Pista Vermelha (Vecchi/Tendência). Roteiro: Giancarlo Berardi — Desenhos: Renzo Calegari/Giorgio Trevisan. Publicada originalmente no Brasil em Março de 1980/Editora Vecchi          
Arte: Renzo Calegari
Trabalhando como scout em uma expedição militar geológica nas Montanhas Rochosas, contratado pelo exército, Ken Parker conhece a história de uma mulher de 25 anos que foi raptada aos 14 por Taza, um apache que a tomou como esposa e que teve dois filhos com ela. Ao ter a aldeia onde viveu por 11 anos atacada pelo exército, ela foge com os garotos. Perseguida pelo marido, resolve deixar as crianças com Kayita, uma irmã de Taza repudiada por ele após ter casado um ex-scout do exército mexicano. Só que o casal vende os filhos do apache para um saltimbanco. Assim, Ken chega em Leadville, um pequeno centro no condado de Springfield, no Colorado, cidade que terá sua população acossada por Taza em sua perseguição em resgate dos filhos.

Arte: Renzo Calegari
É a primeira vez que temos uma dobradinha de desenhistas atuando numa única história — Giorgio Trevisan e Renzo Calegari (nas primeiras 22 páginas), uma viagem sem escalas até o western clássico — índios combatendo contra os brancos; uma cidade sendo atacada por guerrilhas noturnas; o homem experiente (Ken Parker) que atua como salvador da pátria; a ganância dos poderosos e a falta de escrúpulos para proteger seus interesses. 

Arte: Renzo Calegari
No duelo titânico entre dois monstros do lápis, primeiramente Calegari apresenta seu estilo dinâmico, com diagramação de página anticonvencional, perfeita para uma HQ já conhecida pelo afastamento do modelo tradicional. Em seguida, Trevisan assume a pena, numa mudança não apenas de curso, como também de dinâmica e esquema gráfico, como à exemplo da utilização da figura humana no quadrinho em branco, em contraste ao fundo negro e sem definir uma moldura específica. A forma como o ‘filme’ é montado também foge do esquadro convencional das narrativas. A trama começa além do que nos foi contado, colocando o início (em flashback) na metade do episódio, para logo depois retornar ao desfecho, aproximando “A Longa Pista Vermelha” de “Pulp Fiction” (1994), de Quentin Tarantino, isso muito antes do diretor pensar em produzir um filme.

Arte: Giorgio Trevisan
O breve romance de Ken Parker com Vera Hanson novamente nos avisa que o scout não é dado a iniciativas no quesito de conquistas amorosas, pois novamente é ele quem acaba sendo cortejado por uma dama. Ken também ‘contracena’ com Sally, um chipanzé que o acompanha em parte da história.  Uma curiosidade: num universo onde o sexo não está entre a principal temática da maioria de seus episódios, a página 24 de "A Longa Pista Vermelha" (tomando por base a edição da Editora Vecchi) é disparada até agora o recorte mais 'sexual' da série, quando em apenas cinco quadros várias situações com conotação sexual são deflagradas. 

Arte: Giorgio Trevisan
O diálogo final entre Ken e a professora nos lembra que apenas a educação pode mudar uma realidade preconceituosa e excludente, com ênfase no poder de transformação dos educadores. E no fim das contas, qualquer espécie de pré-julgamento racial ou de gênero na maioria das vezes advém de ambos os lados, índios e brancos, assim como a injustiça, frequentemente é derivada da mais ignóbil ignorância. Outro dos recados de “A Longa Pista Vermelha” está naquela sensação de que mesmo havendo vencedores e vencidos, o scout permanece no seu limbo particular, sem pertencer a nenhum dos lados. 

Próximo episódio: “O Expresso de Santa Fé”

Arte: Giorgio Trevisan

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